O Hospital de Clínicas da Unicamp ganhou nesta sexta-feira (10) uma nova área de Medicina Nuclear e passa a contar com um equipamento que usa recursos da inteligência artificial para obtenção de imagens de corpo inteiro, em 3D, com alta qualidade e precisão. Chamado de SPECT/CT-CZT, o aparelho é o primeiro a ser instalado em um hospital público na América Latina e conta com a tecnologia baseada em detectores CZT (Cádmio-Zinco-Telúrio), considerada a maior revolução na medicina nuclear das últimas décadas. Toda a nova estrutura de atendimento já está à disposição da população.
O equipamento oferece uma imagem do corpo humano com altíssima precisão, já que não apenas vê o órgão, mas revela como ele está trabalhando em tempo real. A tecnologia do novo SPECT/CT assegura, ainda, a obtenção de imagens com uso de elementos radioisotópicos quatro vezes mais rápido que os equipamentos convencionais. Com isso, reduz o desconforto aos pacientes.
O novo equipamento foi adquirido por R$ 8,6 milhões com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) CancerThera. Esse centro juntou toda uma cadeia de pesquisa para o desenvolvimento de fármacos e radiofármacos a serem utilizados no diagnóstico e no tratamento de câncer e tem sede no Hemocentro da Unicamp. O custo foi coberto também por meio de emendas parlamentares indicadas pelos deputados federais Adriana Ventura, Kim Kataguiri, Paulo Freire e pela ex-deputada Katia Sastre.
O investimento total para execução das adaptações na área de Medicina Nuclear foi de R$ 2,1 milhões, executados com recursos da Fapesp. Os investimentos da Fundação também contemplaram um pacote de atualização no valor de US$ 400 mil para o upgrade de outro equipamento da área, que é o PET/CT.

Segundo Bárbara Juarez Amorim, coordenadora da área de Medicina Nuclear do HC da Unicamp, os investimentos realizados na Medicina Nuclear nos últimos anos posicionam o serviço do hospital como um dos mais importantes do país, com tecnologias de última geração à disposição do SUS.
“O novo SPECT/CT-CZT representa o estado da arte em inovação, com capacidade para realizar diagnósticos precisos em câncer, incluindo a dosimetria interna para o planejamento terapêutico, além de proporcionar mais conforto para o paciente, sendo a maioria oncológicos, e a possibilidade de diminuição da dose de radiofármacos usados nesses tipos de exames”, detalha.
Coordenador do CancerThera, Cármino de Souza diz que a conclusão desse projeto de modernização se dá após quatro anos de planejamento e que a área foi estruturada para ser multi-institucional (Unicamp, HC, Hemocentro, Fapesp), pela relevância dos investimentos, da produção científica e para a assistência.
“A tecnologia SPECT/CT-CZT ampliará significativamente as possibilidades científicas, tecnológicas e educacionais, especialmente no âmbito do teranóstico (terapia e diagnóstico), além de proporcionar benefícios assistenciais substanciais para o HC”, esclarece Souza.
Medicina Nuclear
A nova área da Medicina Nuclear do HC da Unicamp foi entregue na sexta-feira (10/4). O evento contou com a presença do reitor Paulo Cesar Montagner; do coordenador geral da Universidade, Fernando Antonio Santos Coelho; do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan; do presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago e do coordenador de assistência do HC, Paulo Eduardo Neves Ferreira Velho, representando a superintendente do hospital Elaine Cristina de Ataíde. Também participaram da cerimônia o diretor da Faculdade de Ciências Médicas, Claudio Saddy Rodrigues Coy, os deputados federais Adriana Ventura, Kim Kataguiri e a ex-deputada Katia Sastre, além de autoridades da Unicamp.

“Para nós, do HC da Unicamp, esse é um momento extremamente importante. Ele não aconteceria sem a participação de muita gente. Como um hospital 100% SUS, temos o privilégio de ter um equipamento como esse para oferecer a melhor assistência aos nossos pacientes”, disse Paulo Velho, coordenador de assistência do HC durante a mesa de abertura do evento, ocorrido no anfiteatro do hospital.
“Essa tecnologia vai ajudar as pessoas e gerar conhecimento de qualidade, algo que retorna à população. Essa nova área vai fazer uma enorme diferença não só para o desenvolvimento de pesquisas, mas também para a agilidade e precisão de diagnósticos. Todos sabem que, quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de cura”, celebrou Coelho.
“Estou muito satisfeito porque, primeiro, houve um esforço conjunto para obter os recursos, inclusive, com apoio legislativo. Em segundo lugar, a estrutura foi instalada em um hospital público e universitário que é referência, onde o ensino tem papel fundamental. Assim, vamos unir atendimento à população, pesquisa, ensino e extensão”, acrescentou o secretário Vahan Agopyan.
Marco Antonio Zago apontou a nova área de medicina nuclear como um modelo de investimento. “Esse projeto é um exemplo de como a Fapesp emprego o dinheiro que recebe”, apontou ele.

Descerramento da placa
O descerramento da placa de inauguração da nova área da Medicina Nuclear foi feita pelo governo do estado, em Campinas, na quinta-feira (9/4), durante a Caravana 3D – Desenvolvimento, Dignidade e Diálogo –, realizada no Prédio do Relógio. As ações incluíram entregas e novos anúncios em áreas estratégicas como saúde, educação, habitação, infraestrutura urbana, rodovias, segurança pública, desenvolvimento social, turismo e agricultura, além de projetos estruturantes de mobilidade.
“A Unicamp tem um longo trabalho nessa área [Medicina Nuclear] na Unicamp, coisa de 30 anos. De fato, temos um pioneirismo enquanto universidade e suas pesquisas, e como hospital universitário e sua área de assistência. Agora, com esse incremento, teremos ainda melhores condições para continuar trabalhando na fronteira do conhecimento”, disse o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, durante a cerimônia.
O secretário estadual de saúde, Eleuses Paiva, lembrou que o equipamento será fundamental para o melhor funcionamento da nova área da medicina nuclear da Unicamp. “A Universidade poderá se desenvolver não apenas no setor assistencial, mas também no de pesquisa. E isso é muito importante para o Brasil”, disse ele.








Veja aqui mais fotos da inauguração da nova área da Medicina Nuclear e do equipamento SPECT/CT-CZT.
