O técnico em mecânica geral da seção de protótipos da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp José Maria da Silva entregou ao Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp mais dois bancos e um mural feitos com as madeiras das estantes do depósito da Divisão de Nutrição e Dietética (DND) do HC da Unicamp. Os bancos e o mural foram colocados no saguão da entrada do refeitório do hospital, que virou um espaço de convivência e descanso para os colaboradores.
“As estantes de peroba rosa e cedro foram utilizadas por 40 anos no estoque da DND para armazenamento dos gêneros alimentícios e descartáveis. De acordo com a legislação, foi necessário substituirmos esses bens móveis de madeira por outro material”, explica Luciane Giordano, coordenadora da DND do HC da Unicamp.
José Maria também fez e entregou as urnas de madeira localizadas no primeiro e segundo andar do hospital para coleta das tampas de garrafas pets e os bancos do saguão da Superintendência. As urnas foram confeccionadas com os paletes de equipamentos que chegam ao hospital e os bancos a partir de árvores que caíram por causa de eventos climáticos extremos ou foram suprimidas da Universidade por causa da abertura de estradas, ruas ou construção de prédios.

“Dentro da visão de sustentabilidade existe o processo chamado do berço ao berço, onde nada morre. Tudo o que é descartável ou que vai para o aterro sanitário pode se transformar em um novo produto, se renovar, ter uma nova utilidade”, comenta José Maria.
Visão de sustentabilidade
O desejo de fazer algo pelo meio ambiente nasceu em José Maria há pelo menos 30 anos. Nascido e crescido num sítio na cidade de Taciba, na região de Presidente Prudente e após o nascimento dos filhos e a mudança para Campinas para trabalhar na Unicamp, José Maria resolveu voltar a cidade natal para mostrar às crianças o igarapé onde ficava pescando ou correndo atrás de borboletas, enquanto sua mãe e sua avó lavavam roupa à beira do pequeno córrego.
Ao chegar no local, não havia mais nada…
“As árvores foram derrubadas, plantou-se pasto, os bois vieram e o igarapé secou. Naquele momento, eu tive o desejo de fazer alguma coisa pelo meio ambiente e pensei: porque não dentro de uma Universidade?”, relembra José Maria.
Como responsável pelo laboratório de protótipos da Feagri, José Maria ajudou a fazer mais de mil teses de iniciação científica, mestrado e doutorado em 38 anos de Unicamp. Com a verba de projetos, foi possível adquirir máquinas, serras, lixas, plainas para transformar as madeiras em novos produtos sustentáveis espalhados pela Universidade, do Hospital da Mulher (Caism) à Casa do Professor Visitante (CPV) da Funcamp, da Feagri ao HC da Unicamp.

“Independente da formação de qualquer profissional dentro da Unicamp, ou sendo um CEO, dono de empresa, ele tem que ter uma visão de sustentabilidade e o que fazer com o processo de descarte daquilo que consome. Espalhar pela Universidade produtos reciclados de madeira é uma forma de educar as pessoas, de levar conhecimento, para que elas possam fazer o mesmo na sua casa, no seu bairro e na sua cidade”, diz José Maria.
