O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp recebeu no final do mês de maio avisita de Maria Cristina C. L. Balestrin de Andrade, da assessora de gabinete daárea de Saúde Digital da Secretaria Estadual de Saúde (SES) de São Paulo. MariaCristina veio ao HC acompanhada de uma equipe de assessores técnicos erepresentantes de outros sete hospitais do Estado de São Paulo para conhecer asfuncionalidades do AGHUse, um sistema de gestão em saúde que deverá ser adotadapela SES.
A equipe da SES foi recebida pelo então coordenador de assistência do HC à epoca da visita, José Barreto Carvalheira, pela equipe da Divisão de Informática, Núcleo de Auditoria e gerentes do Centro Cirúrgico e Divisão de Ambulatórios e Procedimentos Especializados (Dampe).
“A escolha do AGHUse como o ERP hospitalar para todo o estado de SP éinteressante por ser uma plataforma robusta, abrangente e com conceito dodesenvolvimento colaborativo com uso de software livre e permite que melhoriassejam desenvolvidas e benefícios de novas funcionalidades possam ser aplicadosa todos os usuários”, disse Maria Cristina.
O AGHUse foi desenvolvido pelo Hospital de Clínicas dePorto Alegre (HCPA), instituição ligada à Universidade Federal do Rio Grande doSul (UFRGS). Ele é um software livre e sem custos. O aplicativo começou a serimplantado na Unicamp em 2016, quando o HC firmou o convênio com o HCPA. Há umtotal de 18 módulos que devem ser implantados.
De acordo com o projeto o AGHUse será o ERP não do HCda Unicamp, mas também do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism),do Hemocentro, do Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), do Gastrocentro e doInstituto de Otorrinolaringologia Cirurgia de Cabeça e Pescoço (IOU).
Cleusa Milani, coordenadora daDivisão de Informática do HC da Unicamp e membro da Diretoria Executiva deTecnologia de Informação e Comunicação (Detic) da Unicamp, concedeu entrevistaexplicando em que fase o HC e a Unicamp estão da implantação do AGHUse e dos desdobramentosfuturos da plataforma que unirá a área da Saúde da Universidade a outroscentros de saúde do Brasil.
“A introdução deste sistema será um passo importante para aprimorar osserviços de saúde oferecidos pela Unicamp e Estado de São Paulo”, revela Cleusa.
Em que fase está a implantação do AGHUse no HC?
Cleusa – No ano passado, a implantação do AGHUse no HC alcançou significativos avanços, impulsionados pelo programa de treinamento e reciclagem em colaboração com a Consultoria da Empresa Sondas, além do apoio essencial fornecido pelos analistas de informática e pela equipe de apoio assistencial. O acompanhamento próximo dos usuários finais, visando a identificação de melhorias, permitiu uma eficiente priorização e encaminhamento das demandas, tanto para a equipe de desenvolvimento interna quanto para os consultores. Mais de 100 novas funcionalidades foram implementadas, proporcionando uma ampla gama de benefícios aos serviços, consolidando nossa posição como pioneiros no avanço da Comunidade. Além disso, alcançamos progressos significativos na interoperabilidade do AGHUse com os sistemas da Universidade – DGA e DGRH.

Você pode dar um exemplo prático de alguma funcionalidade já implantada?
Cleusa – Todo esse progresso foi fundamental para a execução do projeto piloto do beira-leito na UTI, onde cada medicamento administrado é cuidadosamente registrado por meio de leitores, garantindo a precisão e segurança no processo, ao verificar se a medicação é destinada ao paciente correto. Esse sistema de rastreabilidade abrange toda a cadeia de administração de medicamentos, promovendo uma gestão mais eficiente e segura.
Quantos módulos já foram implantados?
Cleusa – Até o momento, dos 18 módulos planejados, já implementamos com sucesso os módulos de Agendamento, Exames Laboratoriais e de Imagem, Internação, Farmácia, Projeto de Pesquisa, Emergência e Certificado Digital.
Quantos ainda faltam implantar?
Cleusa – Atualmente, estamos concentrados na fase de aprimoramento e desenvolvimento contínuo dos módulos de Suprimentos, CCIH, Nutrição, Centro Cirúrgico e Procedimentos Especializados. Em breve, avançaremos com o treinamento e implementação dos módulos de Sessões Terapêuticas, Comissão de Avaliadores, Doação e Transplante e Custos, completando, assim, o ciclo de implantação e aprimoramento do sistema.
Após a visita da equipe da SES, houve algum acordo ou ação proposta pela SES com o HC, como por exemplo o HC assessorar a SES na implantação do AGHUse nos demais hospitais do Estado de SP?
Cleusa – Por hora, realizamos uma apresentação inicial do sistema à SES-SP. Como estão em andamento os processos de definição e análise sobre a adesão à Comunidade AGHUse, ainda não firmamos parcerias específicas para apoiar a implantação. No entanto, reiteramos nossa total disponibilidade para oferecer suporte, sempre que necessário, durante esse período de transição.
Como você vê essa iniciativa de implantar o AGHUse nos demais hospitais do Estado de SP como plataforma única para gerenciamento? É bom para o SUS e para os usuários?
Cleusa – Para a Unicamp, a implementação deste sistema representará um avanço significativo, pois facilitará consideravelmente a integração dos dados dos pacientes. Isso resultará em melhorias substanciais na assistência ao paciente, permitindo uma prestação de cuidados mais eficaz e personalizada. Além disso, essa integração possibilitará uma economia de recursos considerável, principalmente pela otimização do compartilhamento de exames e pela agilidade no atendimento. Em resumo, a introdução deste sistema será um passo importante para aprimorar os serviços de saúde oferecidos pela Unicamp e Estado de São Paulo.

Texto: Edimilson Montalti – Núcleo de Comunicação HC Unicamp
Fotografia: Edimilson Montaltati e divulgação HC
