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Estudo aponta quais pacientes atendidos em hospitais de Campinas são elegíveis para cuidados paliativos

Pesquisa constatou que 37,4% dos pacientes eram elegíveis para cuidados paliativos

Cuidados paliativos

Um estudo observacional realizado com 270 pacientes atendidos nas Unidades de Emergência e Pronto-Socorros do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, Celso Pierro da PUC-Campinas, Hospital Vera Cruz e Casa de Saúde de Campinas constatou que 101 pacientes (37,4%) eram elegíveis para cuidados paliativos. A pesquisa resultou no artigo Patient characteristics and palliative caree ligibility in public vs. private emergency care: A cross-sectional observational study publicado esse ano na revista Clinic, da editora Elsevier.

“No sistema público de saúde, a neoplasia maligna permaneceu como a doença mais prevalente, seguida por cardiopatia, doença renal crônica (DRC) e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Nos hospitais privados, houve predominância de doenças relacionadas a pacientes idosos, como demência e síndrome da fragilidade”, diz Cristina Terzi, médica paliativista do HC da Unicamp e uma das autoras da pesquisa.

A coleta de dados ocorreu durante dois dias em agosto de 2022, em turnos de 12 horas no serviço de emergência, totalizando 24 horas em cada instituição. A entrevista foi dividida em quatro partes: dados epidemiológicos do paciente, perguntas relacionadas ao motivo da visita ao Pronto-Socorro e principais comorbidades, aplicação do Supportive & Palliative Care Indicators Tool (SPCIT-BR™) e do Palliative Performance Scale (PPS), avaliação dos medicamentos em uso, sintomas e hospitalizações recorrentes e avaliação dos locais de tratamento.

De acordo com a pesquisa, a idade média dos pacientes foi de 58 anos, 54,4% eram do sexo feminino e 57% era proveniente de serviços públicos. Em relação ao acompanhamento de rotina para doenças subjacentes, 55,5% dos pacientes estavam recebendo atendimento em uma clínica ambulatorial. A dor foi o sintoma mais relatado entre 37,1% os pacientes elegíveis.

Cristina Terzi
Cristina Terzi durante evento sobre Cuidados Paliativos no HC da Unicamp

“Os resultados deste estudo demonstram a necessidade de uma maior implementação de programas de cuidados paliativos na atenção primária, especialmente no sistema público de saúde. Isso poderia levar a uma redução das visitas evitáveis ao pronto-socorro e a um atendimento domiciliar que reflita as necessidades e desejos do paciente”, diz Terzi.

Envelhecimento da população

A população brasileira envelheceu rapidamente nas últimas décadas, impactando significativamente o sistema de saúde, que tem enfrentado dificuldades para se adaptar a essa mudança. No Brasil, a demanda por Cuidados Paliativos (CP) supera a oferta disponível, concentrando-se principalmente em hospitais (81,1%), o que leva à absorção inadequada de pacientes crônicos pela atenção primária.

Como resultado, os serviços de emergência ficam sobrecarregados com complicações que poderiam ser prevenidas e com cuidados que poderiam ser realizados em domicílio. A atmosfera de pressão do tempo em serviços de emergência é um desafio para o contato entre profissionais de saúde e pacientes e suas famílias dificultando o vínculo.

“No Brasil, há uma carência de dados robustos sobre pacientes em cuidados paliativos, particularmente estudos que avaliem essas demandas no pronto-socorro. Obstáculos estruturais e culturais persistentes impedem a incorporação precoce de cuidados paliativos nos sistemas de saúde, e existe uma tendência para intervenções hospitalares em vez de modelos integrados e centrados no paciente na comunidade, envolvendo cuidados primários”, explica Terzi. 

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu os Cuidados Paliativos como uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes (adultos e crianças) e seus familiares que convivem com doenças potencialmente fatais. Assim, a definição se expande para uma atitude que evita e atenua o sofrimento por meio do reconhecimento, avaliação e tratamento precoces da dor, bem como de outras questões físicas, psicossociais e espirituais.

Selo Amigo do Idoso
Envelhecimento da população traz desafios na atenção à saúde e ao SUS

“Um dos critérios mais importantes para a qualidade da morte é o acesso aos cuidados paliativos. O manejo dos sintomas nas quatro dimensões, com o desenho de um plano antecipado de cuidados baseado no prognóstico e de acordo com os valores do paciente são fundamentais. Por isso é necessário estimular as políticas educacionais para profissionais de saúde, os protocolos e a pesquisa para o desenvolvimento nessa área”, reforça Terzi.


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