Pacientes atendidos pelo Hospital de Clínicas (HC), Hospital da Mulher (Caism), Hemocentro, Gastrocentro, Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), Instituto de Otorrinolaringologia Cirurgia de Cabeça e Pescoço (IOU) e demais unidades de Saúde ligadas à Unicamp passam a contar com uma nova ferramenta digital para acompanhar informações relacionadas ao seu prontuário médico. O novo Sistema Unicamp de Saúde Integrado – ou apenas Susi – é um aplicativo que permitirá acesso a consultas, exames, receitas médicas e outros serviços diretamente pelo celular, tablet ou computador.
Desenvolvido pela equipe de Tecnologia da Informação do HC a partir do ecossistema Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHUse) – similar ao já existente no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) –, o sistema foi criado com foco na segurança e na praticidade. Após um cadastro que garante a total segurança e o sigilo dos dados fornecidos, o paciente poderá consultar seu histórico de atendimentos, verificar consultas agendadas e receber notificações para lembrar compromissos médicos.
Entre os recursos disponíveis estão o acesso a resultados de exames laboratoriais e de imagem. No caso dos exames de imagem, o aplicativo permitirá o compartilhamento dos arquivos com outros profissionais de saúde por meio de QR Code. Também será possível acessar receitas médicas digitais, que contarão com mecanismos de autenticação para garantir sua validade.

Teleconsultas
A ferramenta funciona integrada ao sistema de prontuário eletrônico utilizado pela área da saúde da Unicamp. Dessa forma, o aplicativo não cria novas bases de dados, mas permite que o paciente visualize informações já registradas no sistema hospitalar, que vem sendo totalmente digitalizado desde 2018.
Inicialmente disponível para dispositivos Android, o aplicativo deverá ser liberado para iOS até julho. A equipe responsável também prepara materiais educativos e treinamento para auxiliar os usuários na configuração do acesso.
A diretora da Divisão de Informática do HC da Unicamp, Cleusa Milani, lembra que, além das informações clínicas, o Susi também contará com espaço para notícias das unidades de saúde ligadas à Universidade, seção de perguntas frequentes e canais de avaliação dos serviços prestados. Futuramente, novas funcionalidades deverão ser incorporadas, entre elas a realização de teleconsultas, uma demanda de médicos e pacientes que pode ampliar o acesso ao atendimento médico.
Vale ressaltar que o aplicativo Susi também pode ser utilizado pelos pacientes do Hospital da Mulher (Caism), do Hemocentro, do Gastrocentro, do Centro de Saúde da Comunidade (Cecom) e do Instituto de Otorrinolaringologia Cirurgia de Cabeça e Pescoço (IOU).
Nome social
Outro destaque é a inclusão do nome social em todos os ambientes do sistema. A funcionalidade garante que os pacientes sejam devidamente identificados conforme sua preferência em todos os procedimentos, contribuindo para um atendimento mais acolhedor, inclusivo e respeitoso.


De acordo com Luiz Carlos Zeferino, responsável pela Diretoria Executiva da Área da Saúde (Deas) da Unicamp, a implantação do aplicativo Susi representa um marco na prestação dos serviços, reduzindo a necessidade de deslocamentos, muitas vezes tão difíceis, apenas para retirada de exames ou receitas, por exemplo. “É um avanço importantíssimo na questão de garantir o bem-estar das pessoas, mas é algo que ainda tem potencial para ampliar ainda mais suas utilidades”, destaca Zeferino.
O diretor da Deas ressalta ainda que a digitalização dos dados de todas as unidades de Saúde, além da área de ação da Universidade, é uma demanda importante para o Sistema Único de Saúde (SUS), já que a interligação virtual dessa rede poderia agilizar atendimentos, facilitar a análise de exames, reduzir custos e otimizar o atendimento médico de forma geral.
Para isso, ligar o Susi à já existente Rede Nacional de Dados em Saúde (RND), mantida pelo Ministério da Saúde e criada para conectar diferentes sistemas em todo o Brasil, está nos planos da Universidade.
Desenvolvimento
Um dos itens do Planejamento Estratégico (Planes) de 2022 a 2026 no eixo Comunicação era a implantação ou desenvolvimento de um aplicativo para a rápida e fácil comunicação do paciente com o HC da Unicamp. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) tinha o Meu Clínicas, aplicativo para o paciente integrado ao AGHUse já em implantação na Unicamp desde 2018.
O Meu Clínicas, inicialmente, não fazia parte do pacote de sistemas adquirido pela Universidade. Após intensa negociação entre a Unicamp e o HCPA, ficou definido que apenas o código fonte do módulo Meu Clínicas seria repassado à Unicamp. A contrapartida, a Universidade deveria elaborar uma documentação de como implementá-lo e disponibilizá-lo para toda a comunidade que usa o AGHUse.
“Nós decidimos, então, amarrar a demanda do projeto do Planes de Comunicação ao desenvolvimento desse aplicativo. O HCPA nos contou como o Meu Clínicas funcionava e a equipe de TI do HC desenvolveu a atual versão do SUSI já com várias melhorias que contemplam a necessidade da Unicamp”, explicou Cleusa Milani.
De acordo com Marcelo Santos Oliveira, tecnologicamente, a equipe de desenvolvimento e operações de TI da Divisão de Informática (DINF) do HC da Unicamp fez uma nova construção para que a área da saúde da Unicamp pudesse usar as funcionalidades básicas do Meu Clínicas.
“Fizemos várias adequações para a versão do SUSI. Incluímos o uso do CPF, do nome social e da pesquisa de satisfação do paciente. A grande inovação foi hospedá-lo, agora, numa rede de servidores físicos e virtuais, o que garante maior estabilidade para o usuário do aplicativo. O ponto crucial foi a implantação”, comentou Marcelo Santos Oliveira, devops da DINF do HC da Unicamp.

O desenvolvedor de TI da DINF, Thiago d´Eça Santiago, lembrou que entre o aprendizado de como o aplicativo funcionava e o desenvolvimento das ferramentas hoje disponíveis no SUSI para os pacientes, foram quase dois anos de trabalho. A etapa final foi o treinamento das equipes internas do HC e da área da saúde para orientar os pacientes durante o processo de instalação do SUSI.
“Já temos 372 usuários cadastrados e 160 instalações baixadas para o sistema Android de celular. Capacitamos, também, 115 colaboradores da área da saúde para auxiliarem os pacientes durante o processo de cadastro para o uso do SUSI”, contou Santiago.
A comunidade que usa o AGHUse é composta por dez secretarias de Estado da Saúde do Brasil, Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), Unicamp, HCPA, Universidade Federal do Rio de Janeira (UFRJ), DataSUS, Unimed do Rio Grande do Sul e Hemocentro do Amazonas.
“Após todo esse trabalho feito pela equipe de TI do HC da Unicamp, agora qualquer parceiro do AGHUse pode requisitar o módulo de comunicação com o paciente e fazer a implantação do aplicativo a partir dos resultados que tivemos”, destacou Cleusa.
“Essa realização não só profissional, mas pessoal. Fazer algo assim, traz uma experiência incrível e um sentimento de dever cumprido. Somos servidores, e esse aplicativo externa essa essência de servir”, refletiu Marcelo.
“Acredito que o aplicativo SUSI será, em breve, um dos principais canais de comunicação do paciente com o HC e a área da saúde da Unicamp. Em breve, adicionaremos novas funcionalidades e melhorias”, confidenciou Santiago.
Você conhece o SUSI?
Além de Marcelo e Santiago, a equipe de TI da DINF que desenvolveu o SUSI contou com a participação de Tiago Dias, supervisor da equipe DevOps; do desenvolvedor Tiago Pereira; do supervisor do desenvolvimento Jefferson de Almeida Inacio e do assessor Marcos Pacheco, além da coordenadora da DINF, Cleusa Milani.
O acesso também pode ser feito diretamente pelo navegador de internet.
