Joaquim Barreto, médico-residente de Clínica Médica do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp e doutorando do programa de Fisiopatologia Médica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp esteve, durante o mês de abril, como pesquisador médico visitante do Departamento de Cardiologia da Universidade de Yale, Estados Unidos. No Yale New Haven Hospital, Barreto teve a oportunidade de continuar desenvolvendo modelos de predição de desfechos cardiovasculares, uma de suas linhas de pesquisa na Unicamp.
Barreto já realizou a pesquisa Blunted heart rate response to regadenoson predicts cardiovascular risk beyond quantitative PET myocardial blood flow com a Universidade de Yale. Nesse estudo, dados de 4.600 exames de cardiologia nuclear (PET-CT) foram analisados para criação de modelos de predição de risco de eventos cardiovasculares.

“Demonstramos que a incorporação dos dados de resposta hemodinâmica ao estresse farmacológico aos parâmetros de perfusão coronariana aprimora nossa capacidade de identificar pacientes sob risco aumentado de desfechos como morte, infarto e hospitalização por insuficiência cardíaca”, conta Barreto.
Os resultados foram apresentados no congresso da American College of Cardiology (ACC 2026), ocorrido no final de março, em Nova Orleans, Estados Unidos.
Barreto também apresentou seu trabalho de doutorado, o Estudo DARE-ESKD. Nessa pesquisa, ele avaliou o efeito do início de tratamento com dapagliflozina em comparação a manutenção de terapia vigente em 80 pacientes com doença renal crônica em diálise por 24 semanas. A dapagliflozina é um medicamento oral da classe dos inibidores de SGLT2i, atualmente indicado para tratamento de diabetes, insuficiência cardíaca e doença renal crônica.
“Apesar dos benefícios demonstrados na doença renal crônica em tratamento conservador, os estudos excluíram indivíduos em regime de diálise. Nossos resultados indicam segurança do início do tratamento nesta população, entretanto sem benefício cardiovascular evidente”, comenta Barreto.

Os resultados desse estudo já foram publicados na Kidney International Reports da Sociedade Internacional de Nefrologia. A orientação foi do cardiologista do HC da Unicamp e professor do Departamento de Clínica Médica da FCM, Andrei Sposito. A pesquisa foi realizada no Laboratório de Biologia Vascular e Aterosclerose (Aterolab) e contou com a participação do Laboratório para o Estudo Mineral e Ósseo em Nefrologia (Lemon), do professor e médico nefrologista Rodrigo Bueno Oliveira.
Experiência internacional
Durante o período em Yale, Barreto participou de atividades de interpretação de exames de imagem cardiovascular, reuniões científicas e períodos dedicados a análise de dados e apresentação de resultados de estudos desenvolvidos sob a orientação do médico Filipe Moura, em colaboração com o Yale-VA Cardiometabolic and Imaging Research Collaborative (Y-VA CIRCLE).
O grupo é liderado por Moura, cardiologista e especialista em imagem cardiovascular do Yale New Haven Hospital e professor da Yale School of Medicine. Moura concluiu seu doutorado na Unicamp, em 2016, com a tese Interação entre marcadores da homeostase da glicose com evolução clínica após infarto do miocárdio, também sob orientação de Sposito e co-orientação de Valéria Nasser Figueiredo.
“É uma grande alegria fortalecer a parceria com o laboratório Aterolab que há anos desenvolve pesquisa de excelência em cardiometabolismo. O Joaquim teve um desempenho excepcional durante o período em Yale e continuará contribuindo ativamente com linhas de pesquisa do nosso grupo, aprofundando ainda mais essa colaboração científica entre Unicamp e Yale”, destaca.

“Experiências como essa, possibilitadas pelo estágio eletivo da residência médica, são uma oportunidade para a criação de colaborações acadêmicas e científicas internacionais que ampliam no nosso olhar sobre a especialidade de escolhemos”, conclui Barreto.
