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Pesquisa aponta problemas de pele em crianças e adolescentes que utilizam dispositivos para controlar diabetes

Endocrinologia Pediátrica HC da Unicamp participou do estudo multicêntrico internacional

Sensor de glicose

A equipe da Endocrinologia Pediátrica do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp participou de uma pesquisa internacional sobre o uso de dispositivos tecnológicos como sensores de glicose e bombas de insulina para controlar a glicemia por crianças e adolescentes. O estudo envolveu 22 centros de diabete pediátricos no mundo e foi realizado com mais de 1.700 crianças e adolescentes com diabetes.

Durante quatro semanas foram coletados dados das crianças e adolescentes que utilizavam esses dispositivos, incluindo fatores demográficos, problemas de pele visíveis, tipo de dispositivo e produtos utilizados.  A pesquisa mostrou que problemas de pele estavam presentes em 52% dos usuários de bomba de insulina, em comparação com 30% dos usuários de sensor de glicose. Eczema foi encontrado em 9% dos participantes tanto nos locais de aplicação da bomba de insulina quanto nos locais de aplicação do sensor de glicose.

Cicatrizes, feridas e lipodistrofias foram mais frequentes nos locais de aplicação da bomba de insulina do que nos locais de aplicação do sensor de glicose. Tanto a xerose cutânea (pele excessivamente seca, áspera e descamativa) quanto a queratose pilar (acúmulo de queratina nos folículos pilosos) estiveram fortemente associadas a quase todos os tipos de problemas de pele, aumentando o risco de duas a cinco vezes.

Mariana Zorron
Mariana Zorron, endocrinologista pediátrica do HC da Unicamp

De acordo com Mariana Zorron, endocrinologista pediátrica do HC da Unicamp, esse estudo trouxe evidências sobre as complicações cutâneas associadas ao uso de tecnologias na prática clínica. Ainda segundo a especialista da Unicamp, os problemas de pele são uma preocupação séria que limita o uso de dispositivos para diabetes em crianças e adolescentes, aumentando, consequentemente, o risco de complicações.

“O desenvolvimento de dispositivos mais amigáveis, a conscientização da família sobre os cuidados com a pele e a identificação precoce dos fatores de risco como pele seca ou queratose pilar são necessários para garantir que todas as crianças e adolescentes com diabetes possam usar esses dispositivos de forma eficaz a longo prazo”, comenta Mariana.

Os resultados foram publicados no artigo SKIN-PEDIC: A Worldwide Assessment of Skin Problems in Children and Adolescents Using Diabetes Devices, do qual Mariana é uma das autoras. O estudo também teve a participação das médicas e médicos-residentes que fazem parte da equipe da endocrinologia pediátrica do HC da Unicamp.

O artigo foi selecionado para o Yearbook de 2025 do International Conference on Advanced Technologies & Treatments for Diabetes (ATTD). A apresentação aconteceu durante a edição de 2026 do ATTD, ocorrido no mês de março, em Barcelona, na Espanha.

ATTD e ISPAD

O ATTD é um dos principais congressos internacionais dedicados à inovação no cuidado do diabetes, especialmente no campo das tecnologias avançadas. Seu Yearbook reúne os artigos científicos mais relevantes e impactantes da área, selecionados e analisados criticamente por especialistas internacionais.

“A inclusão deste estudo no Yearbook do ATTD reforça sua relevância científica e impacto clínico, além de destacar a inserção do HC da Unicamp em redes internacionais de pesquisa e sua contribuição para o avanço da inovação em diabetes pediátrico”, diz Mariana, que também é membro eleita do Advisory Council da International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes (ISPAD) para o triênio de 2023 a 2026.

A ISPAD é a principal organização global dedicada à melhoria do cuidado de crianças, adolescentes e jovens com diabetes, atuando na promoção do conhecimento científico, educação e melhores práticas assistenciais. Seu Advisory Council tem papel estratégico no apoio às iniciativas e diretrizes da sociedade.

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