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HC realiza treinamento das equipes para atendimento de pessoas trans, travestis, dds e não binárias

Equipes da recepção do hospital, UER e NIR foram as primeiras a passar pelo treinamento

Treinamento atendimento pacientes trans

O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp deu início ao treinamento das equipes de recepção do hospital sobre a sua política de atenção à saúde de pessoas trans, travestis, com diferença no desenvolvimento sexual e não binárias. Os treinamentos começaram pelos colaboradores da recepção do hospital, da Unidade de Emergência Referenciada (UER) e do Núcleo Interno de Regulação (NIR) para garantir que cada etapa do atendimento hospitalar reflita os princípios da política, especialmente o respeito à identidade de gênero e ao nome social de usuários e usuárias.

“É fundamental que as pessoas se sintam acolhidas desde o primeiro contato. Esse treinamento tem um valor simbólico e prático muito grande. Esse é mais um passo importante na consolidação de uma cultura institucional comprometida com o respeito à diversidade e com o cuidado humanizado”, disse a enfermeira Isabela Nogueira, facilitadora do treinamento e uma das autoras da política e do Grupo de Trabalho em Diversidade e Humanização do HC da Unicamp.

A norma foi aprovada em junho de 2025 pelo Conselho Executivo do HC da Unicamp. Ela garante o uso do nome social e pronome de escolha do usuário em todas as etapas do atendimento, acomodação em quarto condizente com o gênero e avaliação da equipe, visando conforto, segurança e continuidade do cuidado do paciente.

Treinamento atendimento pacientes trans

As capacitações abordam as mudanças no AGHUSE, o sistema de prontuário utilizado no hospital, que agora conta com campos específicos para identidade de gênero, assegurando que essas informações sejam corretamente registradas e respeitadas em todos os setores.

De acordo com o enfermeiro Fábio Paixão, coordenador do Hospital Dia e integrante do GT Diversidade e Humanização, a recepção do hospital é o ponto onde o cuidado começa. Para a população trans, travesti, DDS e intersexo, um atendimento humanizado é o que separa a continuidade do tratamento da evasão por medo.

“Quando falamos sobre o respeito ao nome social, diferenças entre identidade e orientação sexual e até mesmo a interssexualidade percebemos o quanto a sociedade e nós mesmos sabemos pouco sobre o assunto”, relata Fábio, um dos instrutores do treinamento.

Um dos treinandos relatou que a humanização em saúde não começa com tecnologia ou protocolos, mas com algo simples: chamar a pessoa pelo nome que ela reconhece como seu e respeitar quem ela é.

“Isso me marcou. No cuidado em saúde, quem define sua identidade é o paciente. Nossa responsabilidade é garantir um atendimento seguro, respeitoso e livre de discriminação — começando pelo uso do nome social, pelo respeito ao gênero e por decisões assistenciais que preservem dignidade e segurança. O treinamento valeu a pena, principalmente, pra mim”, comenta Fábio, emocionado.

A equipe do NIR também passou pelo treinamento. O NIR é quem faz a gestão dos leitos para a internação do paciente. Para Ana Bordin, coordenadora do NIR, compreender essas diretrizes é essencial para a equipe que atua diretamente na definição e organização dos leitos hospitalares. O treinamento trouxe exemplos práticos do cotidiano hospitalar, com foco em situações que podem ocorrer no momento da solicitação e da alocação de leitos.

 A política institucional orienta que a acomodação seja realizada considerando o gênero com o qual a pessoa se identifica, sempre em diálogo com a equipe assistencial e com o próprio paciente, visando segurança, conforto e continuidade do cuidado. Essa etapa impacta a experiência do paciente durante a internação.

“Uma comunicação clara entre o NIR e os setores assistenciais garante que as informações registradas no sistema,  como nome social, sexo e gênero sejam observadas no processo de regulação e transferência de pacientes. Isso atende uma demanda da equipe assistencial para manejar o paciente de leito da melhor forma possível”, ressalta Ana.

Thais Lima, supervisora administrativa da UER, disse que o treinamento promoveu maior segurança para a equipe administrativa, que passa a compreender melhor as especificidades desse público, evitando falhas de comunicação e condutas inadequadas. “Em um ambiente como o da UER, onde o tempo e a sensibilidade são fatores críticos, o treinamento trouxe essa pausa para voltar o olhar para o outro, ajustando o acolhimento, para que seja mais humanizado, com menos conflitos, mais respeito e com maior senso de cuidado”, relata Thais.

Treinamento atendimento pacientes trans

Entre silêncios e vozes

A Divisão de Recursos Humanos (DRH) do HC da Unicamp promoveu ainda no mês de março a palestra Di-versos: entre silêncios e vozes que impactam a saúde mental no contexto hospitalar, com o enfermeiro e professora da Faculdade de Enfermagem (FEnf) da Unicamp Eduardo Sodré de Souza. A palestra foi direcionada aos gestores do hospital e integra as ações de saúde mental sobre diversidade e inclusão no trabalho.

“Quando chegamos nesse mundo cruel, ele já estava pronto. Isso modulou a nossa forma de pensar e agir. A diversidade é uma inteligência de gestão. Para problemas complexos, uma equipe diversa amplia a capacidade de resolução e permite a construção de uma visão mais abrangente a aprofundada. As diferentes experiências podem trazer soluções inovadoras”, disse Eduardo durante a palestra.

Eduardo Sodré de Souza
Eduardo Sodré de Souza também preside a Comissão de Equidade, Diversidade, Ações Afirmativas, Inclusão, Permanência e Pertencimento (CEDAIP) da FEnf, é membro da Comissão Assessora de Diversidade Étnico-Racial (CADER) e facilitador da Vivência Ubuntu de educação antirracista.

Boletim Pílulas de Psicologia

A Divisão de Recursos Humanos publicou no mês de março a nova edição do Boletim Pílulas de Psicologia. O tema dessa edição é Diversidade no Trabalho. A diversidade no trabalho se
manifesta de duas formas específicas. A diversidade cognitiva é relativa às habilidades e aos valores pessoais. A diversidade demográfica corresponde à presença de pessoas com diferentes identidades, incluindo idade, gênero, raça/etnia, religião, orientação sexual.

Embora existam grandes esforços das organizações, a discriminação no trabalho ainda permanece prevalente. Observa-se a existência da discriminação velada e implícita que gera impactos significativos sobre a saúde física e psicológica dos indivíduos discriminados. No contexto atual, as pessoas estão mais propensas a adotar formas sutis de discriminação. Exemplo disso é a incivilidade seletiva que corresponde à adoção de comportamentos rudes ou de inconsideração a grupos específicos. Leia aqui a edição do Boletim Pílulas de Psicologia.

GT Diversidade e Humanização
Integrantes do GT Diversidade e Humanização e do RH convidaram os gestores do HC da Unicamp para as próximas capacitações que ocorreram no segundo semestre desse ano.

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