O Dia Mundial do Rim foi celebrado no dia 12 de março no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. O tema da campanha desse ano é Cuidar de pessoas e proteger o planeta. A ação de conscientização sobre a saúde renal e detecção precoce de doenças renais aconteceu na rampa de acesso ao terceiro andar do hospital com o Circuito Saúde Renal: aferição de pressão, orientações sobre atividade físicas e nutricionais e diálogo com profissionais sobre o funcionamento dos rins. Cerca de 200 pessoas passaram pelo circuito.
De acordo com o médico nefrologista do Centro Integrado de Nefrologia (CIN) do HC da Unicamp, Rodrigo Bueno Oliveira, as doenças renais afetam um em cada dez adultos, mas que hoje em dia existem tratamentos que podem retardar a progressão e suas conseqüências. A detecção é feita, facilmente, por meio da dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina para identificar a presença de proteína ou outras alterações na urina.
“Todas as pessoas que tem histórico familiar de doença renal, diabete, hipertensão ou mais de 50 anos devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para fazer esses exames simples, mas que podem salvar vidas.Ter uma dieta saudável, fazer atividade física, reduz o consumo de álcool, evitar cigarros e consumir alimentos com pouca gordura e açúcar ajudam na saúde renal”, aconselhou Rodrigo.

Edileusa Oliveira Rocha, estagiária de Serviço Social da Ouvidoria do HC e também funcionária da Central de Materiais e Esterilização (CME) do hospital, passou por todas as etapas do Circuito Saúde Renal. Ela relatou que em sua família há pessoas com problemas renais e aproveitou o dia para esclarecer dúvidas e pedir orientação para melhorar a qualidade de vida de quem já está prestes a entrar em hemodiálise. ” Por incrível que parece, nós cuidamos dos outros mas negligenciamos a nossa própria saúde. Precisamos de mais iniciativas assim para cuidar da nossa saúde”, disse Edileusa.
O evento foi organizado pelo Centro Integrado de Nefrologia (CIN) do HC da Unicamp com o apoio da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Faculdade de Enfermagem (FEnf), Faculdade de Educação Física (FEF), Divisão de Nutrição e Dietética (DND) do HC, Programa Meses Coloridos e Liga de Nefrologia e Urologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.
Dados
Estima-se que no Brasil a doença renal crônica atinge aproximadamente 10% da população adulta e cerca de 50 mil pessoas por ano morrem precocemente antes de ter acesso à diálise ou ao transplante. O diagnóstico é simples: O médico faz uma consulta, identifica os fatores de risco, o histórico pessoal e familiar, explora sintomas relacionados a doença renal, examina o paciente em busca de sinais de doença renal, por exemplo, medindo a pressão e procurando por edema.
A creatinina é um exame de sangue que ajuda a medir a taxa de filtração dos rins. Quando a taxa de filtração está reduzida isso pode significar que o rim está doente. Em níveis elevados, significa que o rim está filtrando com dificuldade. Já no exame de urina, uma amostra é analisada para detectar a presença de proteínas, sangue (hemácias) ou células de defesa (leucócitos). O excesso desses elementos pode indicar doença renal.
Fatores de risco
O diabete, hipertensão, histórico familiar de doença renal, infecções urinárias, pedra nos rins, a automedicação com anti-inflamatórios e drogas tóxicas para os rins, doença cardiovascular e a idade acima de 50 anos são conhecidos fatores de risco para a doença renal.

As ações de prevenção de doenças renais incluem o controle de doenças como o diabete e a hipertensão. É importante evitar a desidratação e a automedicação com drogas tóxicas para os rins. Uma alimentação balanceada, pobre em sal, gordura, rica em vegetais e frutas, a prática regular de exercícios físicos, bem como, o controle do estresse, evitar fumar e ingerir bebida alcoólica também ajudam a promover a saúde de maneira geral.
Doença renal e alterações climáticas
A detecção precoce da doença renal crônica (DRC) não apenas preserva a função renal, mas também reduz a necessidade de tratamentos que exigem muitos recursos e melhora os resultados a longo prazo. As mudanças ambientais estão agora a agravar isso. Os riscos relacionados com o clima – poluição atmosférica, estresse térmico, desidratação e fenômenos meteorológicos extremos – agravam os riscos da DRC e aceleram a sua progressão.
O aumento das temperaturas globais também alimenta a propagação de doenças tropicais que podem danificar os rins. Ao mesmo tempo, os tratamentos para a doença renal terminal, em particular a diálise, são intensivos em recursos: requerem grandes volumes de água, energia e plásticos de utilização única, e geram emissões de gases com efeito de estufa.
Uma única sessão de hemodiálise pode ter uma pegada de carbono equivalente a conduzir um carro durante quase 240 quilômetros. “Isto cria um ciclo de retroalimentação: a doença renal e as alterações climáticas agravam-se mutuamente. Um ponto de virada global chegou”, alerta a Sociedade Brasileira de Nefrologia.





