Serviço Social investiga origem de pacientes desconhecidos

(15/08/2013) O Hospital de Clínicas da Unicamp realiza mais de 100 mil atendimentos de urgência por ano e cada paciente atendido no hospital em alta clínica pela equipe médica, recebe varias orientações das assistentes sociais. O Serviço Social do HC é responsável por preparar a saída do paciente e nos casos em que o paciente é desconhecido, ou seja, não possui documentos ou vínculos familiares, a equipe inicia um processo de investigação.
 
“Nós recebemos diferentes tipos de paciente, mas recentemente os desconhecidos são vítimas de acidentes de trânsito e violência urbana”, informa Marli Nascimento Fernandes, supervisora do serviço social do HC. Há um protocolo que é seguido pela equipe nesses casos, que inclui desde a identificação das características físicas destes pacientes, até o acionamento de órgãos públicos de identificação civil, serviços como o SOS Rua de Campinas, inserção no cadastro de pacientes sem identificação da Secretaria de Estado da Saúde, além de notificação às Unidades Básicas de Saúde e Hospitais de Campinas e região para comunicar a internação destes pacientes. “Nós procuramos também nas imediações do local no qual o paciente foi encontrado e quando é um acidente na rodovia, por exemplo, ligamos no posto rodoviário mais próximo”, descreve.
 
A diretora do Serviço Social do HC, Maria Rita Fraga Sthal, destaca o trabalho em conjunto realizado pela equipe do hospital com os demais órgãos que auxiliam na busca e notificação de pessoas desaparecidas. “A falta de documentos é o maior problema, nesses casos a demora para encontrar uma pista chega a 15 dias”, conta. Quando as primeiras ações não têm o retorno esperado, o Serviço recorre a polícia que vem ao hospital fazer o exame de registro das digitais do pacientes. Mas esse processo leva no mínimo uma semana.
 
Outra dificuldade encontrada no processo de alta é o preparo da família ou dos responsáveis para retirar o paciente do hospital. “Por se tratar de casos complexos, muitas famílias não estão preparadas para assumir o paciente”, relata Marli. Nessas situações, a equipe do serviço social atua na orientação e preparo da família, junto com profissionais de enfermagem, fisioterapia e nutrição, além encaminhamento dos pacientes aos Serviços de Atendimento Domiciliar nos municípios nos quais os pacientes residem.
 
“O trabalho multidisciplinar é muito importante e hoje a alta não é mais uma questão atribuída exclusivamente ao médico ou a assistente social”, afirma Maria Rita. Para a diretora, a mudança nas políticas de humanização e a valorização do trabalho em equipe têm facilitado e agilizado o processo de alta. “Nós trabalhamos com a prerrogativa da integralidade no cuidado, garantindo qualidade no atendimento”.
 
Segundo levantamento do hospital, desde 2011 o HC conseguiu identificar e localizar a família de 50% dos pacientes desconhecidos, 35% vieram a óbito e 15% foram transferidos para instituições de assistência. Maria Rita conta que o hospital já recebeu pacientes desconhecidos de outros estados também. Atualmente, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo disponibiliza em seu site oficial uma página destinada à divulgação de pacientes não-identificados, internados em instituições públicas de saúde. A notificação é compulsória a partir de 48 horas da entrada do paciente nos hospitais.
 
Link para a página de notificação de pacientes desconhecidos na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo: http://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/homepage/acesso-rapido/pacientes-nao-identificados

Caius Lucilius com Jéssica Kruckenfellner
Assessoria de Imprensa do HC Unicamp

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