Pacientes com lúpus devem evitar exposição ao sol

(05/07/2013) O lúpus é uma doença crônica autoimune que pode apresentar sintomas em diferentes partes do corpo, de forma lenta ou rápida. A velocidade de aparecimento dos sintomas depende da fase na qual a doença se encontra, que oscila entre períodos de remissão, no qual a inflamação não apresenta sinais e fases de atividade, na qual os sintomas e reações são perceptíveis e surgem de maneira progressiva. Lílian Tereza Lavras Costallat (foto), reumatologista do Hospital de Clínicas da Unicamp, esclarece as principais dúvidas a respeito da doença.

“O lúpus é uma doença crônica, mas é possível mantê-la sob controle com o uso de medicamentos”, afirma. Segundo a médica, nos últimos anos houve um ganho considerável com o desenvolvimento de novos medicamentos e protocolos sobre a doença. “Além dos medicamentos, a avaliação clínica também avançou”. Ela explica que os medicamentos indicados e a dosagem são específicos para cada paciente e variam também de acordo com o estágio da doença, como nas fases de remissão ou atividade.

Para os pacientes com lúpus é necessário evitar o sol, com o uso de protetor solar ou barreiras físicas, como o uso de roupas que não expõem muito a pele a luz solar. “O sol é responsável por desencadear uma reação imunológica do lúpus no organismo, por isso é fundamental que os pacientes evitem essa exposição e quando ela for inevitável, usem métodos de proteção solar”, recomenda.

No lúpus eritematoso sistêmico (LES) ocorrem manchas na pele dos pacientes, principalmente nas regiões expostas ao sol, e alguns órgãos internos podem ser atingidos. “Os rins são os principais órgãos atingidos nos pacientes com lúpus”, conta. Segundo a reumatologista, cerca de metade dos casos da doença envolvem complicações relacionadas aos rins. Mas com o acompanhamento médico e o tratamento sendo realizado corretamente pelo paciente, é possível controlar essas complicações.

A causa do lúpus não é conhecida, mas a literatura médica indica que fatores de origem genética e hormonal podem contribuir para o aparecimento da doença. Quando isso acontece, a pessoa sofre com alterações do sistema imunológico, como a produção de anticorpos, que sofre um desequilíbrio, podendo causar, como consequência, lesões na pele – que surgem em 80% dos casos, inflamação nas articulações, presente em mais de 90% dos pacientes, rins e outros órgãos. Há também o comprometimento neurológico e psiquiátrico, sendo essas manifestações menos comuns.

A alimentação saudável, explica a médica, é fundamental para todos, sejam pessoas saudáveis ou portadoras de alguma doença. “Nas doenças crônicas isso passa a ser ainda mais importante, mas isso não é sinônimo de uma dieta específica ou restritiva”, pondera. O diagnóstico é feito com a avaliação clínica de um reumatologista, que pode solicitar exames complementares, como de sangue e urina, que auxiliam também na definição da fase da doença.

Brasil

O lúpus não possui um grupo de risco específico, porém é mais comum em mulheres, principalmente entre os 20 e 45 anos. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a estimativa é que no Brasil existam cerca de 65 mil pessoas com a doença. Esse alto índice faz com que a doença não se configure como um caso raro, e a medicina investe constantemente em avanços que proporcionem qualidade de vida aos portadores de lúpus.

 

Caius Lucilius com Jéssica Kruckenfellner

Assessoria de Imprensa do HC Unicamp

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