HC é potência no atendimento a AVC

(23/03/2009) O Hospital de Clínicas da Unicamp é o único da região de Campinas com potencialidade para atender AVC, Acidente Vascular Cerebral, 24 horas por dia, os sete dias da semana. Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, mais de 15 milhões de pessoas sofrem AVC por ano, sendo que aproximadamente cinco milhões de pessoas morrem e outros cinco milhões ficam com seqüelas mentais e físicas. Dados do Ministério da Saúde estimam que no Brasil cerca de 90 mortes dentre 100 mil são decorrentes do AVC.

No HC são atendidos em média quatro pacientes por dia, a maioria com AVC isquêmico. Popularmente conhecido como derrame, o AVC decorre da alteração do fluxo de sangue ao cérebro. Responsável pela morte de células nervosas da região cerebral atingida, o AVC pode se originar de uma obstrução de vasos sanguíneos, o chamado acidente vascular isquêmico, ou de uma ruptura do vaso, conhecido por acidente vascular hemorrágico, o de maior letalidade. Os fatores de risco são: hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, consumo freqüente de álcool e drogas, estresse, doenças cardiovasculares, sobretudo as que produzem arritmias e doenças hematológicas.

“A população precisa ser alertada que há tratamento e o quadro pode ser revertido se o paciente for atendido imediatamente ou nas primeiras três horas depois dos sintomas iniciais da doença”, alerta o neurologista Li Li Min, Coordenador do Programa de Neuro-AVC do Depto de Neurologia da FCM. A Associação Brasileira de Neurologia calcula que apenas 30% das vítimas são levadas a um hospital em seis horas, o que dificulta o tratamento. Segundo o neurologista, cerca de 85% dos pacientes que chegam aos hospitais com AVC são do tipo isquêmico, entretanto, apenas 2% desses casos são submetidos ao tratamento com trombólise, em todo o Brasil. A maioria dos pacientes não recebe o medicamento porque não chega ao hospital no tempo adequado.

De acordo com o neurologista Wagner Mauad Avelar, o socorro tem de ser rápido justamente para evitar que a área do cérebro atingida permaneça muito tempo sem ser irrigada. Quando isso acontece, o tecido fica necrosado, o que impede a sua recuperação. “Ou seja, time is brain [tempo é cérebro]”, afirma. A maior preocupação é com a ocorrência de hemorragia, um AVC isquêmico pode se transformar em hemorrágico quando um vaso necrosado se rompe e faz uma hemorragia dentro da isquemia.

Os especialistas recomendam alguns procedimentos que atentam aos sintomas. Levantar aos braços e pernas para detectar fraqueza, dar um sorriso para observar se há desvio na fase, e falar para verificar alterações na linguagem. Pois entre os principais sintomas e sinais de alerta estão paralisia (dificuldade ou incapacidade de movimentação); dor de cabeça muito forte, súbita, sobretudo se acompanhada de vômitos; fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente é afetado um dos lados do corpo; perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar e compreender o que se diz e perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.

Outros sintomas do acidente vascular isquêmico são tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação. Os ataques isquêmicos podem manifestar-se também com alterações na memória e da capacidade de planejar as atividades diárias, bem como a negligência. Neste caso, o paciente ignora objetos colocados no lado afetado, tendendo a desviar a atenção visual e auditiva para o lado normal, em detrimento do afetado.

Aos sintomas do acidente vascular hemorrágico intracerebral podem-se acrescer náuseas, vômito, confusão mental e, até mesmo, perda de consciência. O acidente vascular hemorrágico subaracnóide, por sua vez, comumente é acompanhado por sonolência, alterações nos batimentos cardíacos e freqüência respiratória e eventualmente convulsões.

 

Caius Lucilius com Marita Siqueira
Assessoria de Imprensa do HC UNICAMP

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