Campanha Nacional da Voz acontece durante três dias no HC

(10/04/2018) O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp promove nos próximos dias 16, 17 e 18 no ambulatório de Otorrinolaringologia, a 20ª edição da Campanha Nacional da Voz. Durante os três dias, a disciplina de Otorrinolaringologia da FCM estará à frente das ações, realizando avaliação da saúde vocal da população, das 9h às 15 horas, no 2º andar do hospital. O HC atende em média cerca de 1 mil pacientes por ano com problemas vocais.
 
Com o tema “Afine Sua Voz - Cuide de Sua Voz”, a campanha tem como objetivo o diagnóstico precoce do câncer de laringe ou faringe, além de outros distúrbios begninos da voz, como nódulos vocais, refluxo etc. As pessoas atendidas receberão orientações e aquelas cuja suspeita do câncer for confirmada, serão encaminhadas para tratamento específico nos hospitais da Unicamp ou nos AMES.
 
Segunda a médica Graziela Semenzati, coordenadora da ação neste ano, em todas as campanhas realizadas desde 1999 foram identificados casos suspeitos de câncer, o que permitiu aos pacientes o tratamento precoce e a cura. “A população cada vez mais está se conscientizando de que a rouquidão não é normal, principalmente aquelas que persistem por 15 dias ou mais. Nesse dias temos uma presença intensa de cantores e professores”, afirma Graziela Semenzati
 
No primeiro dia de atendimento da campanha haverá a apresentação, no período da tarde, na rampa de entrada do hospital, de um coral formado por pacientes que sofreram laringectomia total, ou seja, tiveram toda a laringe extraída devido à doença. Os integrantes se uniram com o objetivo desafiar as limitações e desenvolverem a voz esofágica – emitida por meio do esôfago – além de, fortalecer um ambiente de integração social pós-operatório.
 
Entre os brasileiros, o problema vocal mais comum é a rouquidão. Para o chefe da disciplina de otorrinolaringologia, Agrício Nubiato Crespo, este sintoma pode ser um dos indicadores do câncer da laringe - se a rouquidão persistir por mais de duas semanas, há motivos para preocupação. O câncer de laringe, se precocemente diagnosticado e tratado, possui possibilidades de cura acima dos 90%.
 
O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial, entre os países com maior índice de casos do câncer de laringe. No grupo de cânceres de cabeça e pescoço é aquele com maior incidência, predominando em fumantes, acima dos 50 anos, independente do sexo. Também atinge os não fumantes, devido à genética ou outros fatores como álcool e poluição.
 
Além de o fumo ser o principal fator de risco para desenvolver problemas de saúde relacionados à voz, alguns grupos da população precisam estar mais atentos a essa questão, como professores, vendedores, profissionais liberais, cantores, telefonistas, secretárias, entre outros.
 
“O cuidado tem melhorado graças às campanhas, que já contaram com repercussão e adesão de personalidades nacionais”, ressalta Agrício, ao relembrar os esforços da equipe da disciplina de otorrinolaringologia da Unicamp, desde o início das atividades e também, quando coordenou nacionalmente as ações nos anos 2001 e 2002.
 
Tratamento precoce tem chance de cura muito alto
 
O principal tratamento do câncer de laringe é o cirúrgico. Nessa questão, o HC foi pioneiro entre instituições públicas do Brasil, ao oferecer o tratamento com equipamentos de última geração para microcirurgias com laser de CO2, adquiridos em 2014.
 
Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais, já que a terapêutica dos cânceres da cabeça e do pescoço pode causar problemas nos dentes, fala e deglutição. No caso extremo da doença é necessária a laringectomia total (retirada da laringe) implica na perda da voz fisiológica e em traqueostomia definitiva (abertura de um orifício artificial na traqueia, abaixo da laringe.
 
O paciente tratado por um método minimamente invasivo, recebe alta da internação em pouco mais de 24h após o procedimento. Não há necessidade de realizar traqueostomia ou alimentação por sonda no pós operatório, que deixa de ser um processo doloroso e permite a rápida recuperação de hábitos cotidianos.

Saiba mais sobre a campanha em http://www.ablv.com.br/

Caius Lucilius  com Beatriz Bittencourt
Assessoria de Imprensa do HC Unicamp 

Share/Save