Unicamp e Anvisa discutem futuro das próteses de titânio

(07/12/2017) O Laboratório Biofabris (ligado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - INCT em Biofabricação) da Unicamp promoveu nos dias 5, 6 e 7/12, na Faculdade de Engenharia Química (FEQ), um treinamento para técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre Tecnologias Inovadoras na área da saúde. O treinamento teve como objetivo o projeto de construção de próteses customizadas por impressão 3D em titânio.

As atividades foram divididas em três etapas, sendo que a primeira, mais teórica, ocorreu na sala de treinamento do Biofabris; a segunda, mais prática, foi no laboratório da FEQ; e a terceira, que aconteceu na quarta-feira, no Biofabris (FEQ), teve a presença de dois pacientes do Hospital de Clínicas da Unicamp que passaram por cirurgia plástica. Ambos os casos são exemplos bem-sucedidos dos implantes de próteses de titânio customizadas em 3D.

Segundo o professor e engenheiro André Luiz Jardini Munhoz, que ministrou o treinamento juntamente com o professor da FCM, Paulo Kharmandayan não existe no Brasil regulamentação para certificações de próteses de titânio por impressão 3D. Na Unicamp, foi desenvolvido um protocolo de implante em 12 pacientes no HC que tinham perdido até 40% do crânio e que já passaram pelo procedimento.Todos passam bem e retomaram sua vida normal.

“A Unicamp é a única instituição aprovada no edital da Anvisa para oferecer esse treinamento aos técnicos da agência em novas tecnologias”, conta André. Segundo Jardini o equipamento que produziu as placas de titânio é conhecido como sinterizador direto de metal por laser. Importado da Alemanha e avaliado em R$ 3 milhões, o equipamento foi o primeiro da América Latina e pode produzir qualquer tipo de material a partir de pó de titânio.

Para o cirurgião plástico Paulo Kharmandayan o aperfeiçoamento desenvolvido pelas equipes multidisciplinares surpreendeu os técnicos da Anvisa desde o primeiro evento realizado em Brasília em 2016. “O Hospital de Clínicas da Unicamp já realizou até o momento, 12 cirurgias de reconstrução cranio-facial com o uso de placas e nossa equipe está pronta para treinar outras profissionais de hospitais e centros de pesquisa, quando os protocolos estiverem padronizados pela Agência”, explica Kharmandayan.

O desenvolvimento da tecnologia na Unicamp resulta em um custo 3% - cerca de custo de R$ 20 mil - se comparada a uma prótese importada, que pode chegar a R$ 650 mil. A fabricação de uma placa de reconstrução do crânio em 3D dura em média 20 horas.

Em 2015, o HC da Unicamp foi o primeiro no país a realizar uma cirurgia inédita de reconstrução crânio-facial em uma jovem de 23 anos, que sofreu um gravíssimo traumatismo crânio/facial e um acidente vascular cerebral (AVC hemorrágico) devido a um acidente de moto ao se chocar uma caçamba de entulho.

Caius Lucilius  e Isabel Gadernal
Assessoria de Imprensa do HC Unicamp 

 

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