Palestra sobre a Esclerose Múltipla é promovida pelo HC

(31/08/2017) ​O Hospital de Clínicas da Unicamp promoveu nesta quarta-feira (30-08), uma palestra informativa pelo Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, doença crônica e autoimune que atinge o sistema nervoso central. A ação foi destinada à pacientes, familiares e residentes no Ambulatório de Neurologia com a proposta de divulgar informações, fomentar o debate e alertar sobre a doença.

Na Esclerose Multipla as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. É caracterizada pela presença de escleroses (cicatrizes) ao longo do sistema nervoso. Por conta dessas cicatrizes, o impulso elétrico dos neurônios não é corretamente transmitido, o que provoca uma espécie de atraso na resposta do organismo aos estímulos. 

Embora a causa da doença ainda seja desconhecida, muitos estudos têm sido desenvolvidos em todo o mundo, o que possibilita uma constante e significativa evolução na qualidade de vida dos pacientes. Ao contrário do que muitos pensam, a Esclerose Múltipla não é uma doença que afeta a memória e não atinge apenas pessoas mais idosas. “Determinadas raças, como brancos com ascendência européia, são mais suscetíveis do que outros como asiáticos, negros ou americanos”, explica Carla Vieira Stella, neurologista do ambulatório. Apesar de ocorrer em qualquer idade, a faixa etária mais frequente é dos 20 aos 40-45 anos e ocorre duas vezes mais em mulheres. 

Ainda seja uma doença antiga e que atinge milhares de pessoas, alguns profissionais de saúde têm dificuldade para identificar a patologia. Muitas vezes os sintomas podem ser brandos ou pouco perceptíveis, o que faz com que a pessoa sequer procure o médico. Em alguns casos, a doença pode ser confundida com lúpus ou labirintite dificultando o diagnóstico. Por isso, é importante a conscientização da população em relação aos sintomas da doença. O profissional mais indicado para diagnosticar a EM é o neurologista e o diagnóstico deve estar baseado em um histórico dos sintomas, além de um exame neurológico bem detalhado.

Sinais
Os sintomas da doença são decorrentes do local onde a lesão acontece. Os mais comuns são a perda da visão ou visão dupla, formigamentos, tremores, fadiga, redução da força, dificuldade na fala, urgência ou incontinência urinária, transtornos cognitivos e emocionais. Estes sintomas podem ser leve, moderados ou intensos e surgem de maneira imprevisível, podendo evoluir em surtos ou de maneira lenta e progressiva.

A doença não tem cura, porém os tratamentos oferecidos buscam estabilizar e interromper a atividade inflamatória, bem como os surtos ao longo dos anos. Além de tratar o foco da doença é importante garantir ao paciente uma melhora na qualidade de vida. Para se obter uma resposta positiva aos cuidados, o tratamento medicamentoso deve estar aliado a uma neuroreabilitação prevenindo complicações como as deformidades ósseas.

Segundo o psicólogo do ambulatório de neurologia, Marcos Barg, a fase do diagnóstico é a mais delicada, já que o paciente se depara com uma nova realidade e se sente mais frágil frente às mudanças em sua vida. “A gente faz planos, mas um dia nossa estrada da vida sofre um desvio e precisamos lidar com algo que não era esperado. Por isso o acompanhamento psicológico é muito importante, já que pode ajudar o paciente a refletir sobre as mudanças, sobre como se adaptar às novas condições  e ver que, no fim, o desvio na estrada levará ao mesmo caminho, porém diferente do que foi planejado”, ressalta. 

Conscientização
30 de agosto é do Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. A data foi escolhida em comemoração ao aniversário da fundadora da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, Ana Maria Amarante Levy e instituída em 2006.

Caius Lucilius  com Caroline Roque Juliana Castro
Assessoria de Imprensa do HC Unicamp 

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