Ortopedia e Traumatologia comemoram jubileu de ouro

(05/05/2017) O Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp celebrou, na manhã de quinta-feira (4), a abertura das comemorações de seu jubileu de ouro. O evento aconteceu no auditório da FCM e reuniu gerações de profissionais, alunos, médicos-residentes e professores que passaram pelo DOT nesses 50 anos. A cerimônia foi marcada por palestras, descerramento da placa comemorativa ao cinquentenário e quadros dos ex-chefes do DOT.

De acordo com Rodrigo Pagnano, atual chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia, uma das marcas do DOT é trabalhar de maneira séria e com dedicação, mas com tempo para a amizade e descontração. 

“Aproveitem para rever as pessoas, relembrar as histórias, viver o presente e projetar o futuro do Departamento que será grandioso”, disse o anfitrião do evento a todos os presentes durante a mesa de abertura das comemorações. 

O professor Sérgio Rocha Piedade relembrou um fato que marcou a atuação do DOT ao longo dos anos: em 1981, a residência médica passou a ser oferecida de forma pioneira em três anos pelo DOT e, a partir de 1984, tornou-se obrigatória por determinação da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

“O sucesso dessa empreitada fez com que todos os serviços de ortopedia hoje no país tenham a ortopedia em três anos”, reforçou Piedade.

O superintendente do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp e também professor do DOT, João Baptista de Miranda (foto), ressaltou que o DOT tem uma posição importante no atendimento público do país. O diretor associado da FCM, Roberto Teixeira Mendes, disse que o DOT sobreviveu a muitas dificuldades no início de seu funcionamento e hoje se consolidou no atendimento de ortopedia na região de Campinas e no Brasil. 

“Aprendemos nesses 50 anos que é possível fazer uma medicina de qualidade desde que o médico se dedique ao paciente”, reafirmou Teixeira.

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, relembrou com carinho os anos que passou acompanhando seu pai, Maurício Knobel, em atendimentos clínicos no ambulatório de ortopedia e traumatologia do HC da Unicamp, e agradeceu a atuação de todos os profissionais do Departamento de Ortopedia e Traumatologia que atuam na formação, assistência e pesquisa. 

“A Unicamp passa por uma crise, mas temos o principal: as pessoas. Juntos, poderemos atravessar esse momento difícil e continuar progredindo para atender a sociedade, avançar nas pesquisas e formar recursos humanos de qualidade para o país”, disse Knobel.

História do Departamento de Ortopedia e Traumatologia

Quatro anos depois de iniciada as aulas na Faculdade de Medicina, o Departamento de Ortopedia e Traumatologia é instalado, em 1967, na Santa Casa de Misericórdia sob o comando de João D. M. B. Alvarenga Rossi, contratado da Universidade de São Paulo. Figuram entre os seus primeiros assistentes: Irmo e Renato Morelli, Luís Sader, Pedro Tucci, José Carlos Affonso Ferreira, Ricardo Fonseca Ribeiro e Roberto Schmidt. As atividades de graduação são iniciadas logo no primeiro ano do Departamento, com a oferta do curso teórico aos 42 alunos do quinto ano. 

A área total do Departamento era composta por duas enfermarias, um ambulatório e área administrativa. As enfermarias possuíam dez leitos cada, e o ambulatório era constituído de três consultórios e uma sala de gesso. Na administração funcionava a secretaria, uma pequena sala de aula e a chefia, num mezanino improvisado, localizado em um cubículo de 1,5m².

Na época, faltavam equipamentos e até gesso para a execução dos trabalhos. Foi com a ajuda dos próprios professores que o Departamento adquire cadeiras para a sala de aula, um esqueleto, um projetor de slides e uma máquina fotográfica.

A Residência Médica passou a ser oferecida a partir de 1969, em período de dois anos. José Joaquim Lanhoso de Mattos foi o primeiro residente. Em 1981, o curso passa a ser oferecido, pioneiramente, em três anos. A obrigatoriedade dessa duração só entrou em vigência a partir de 1984, por determinação da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Em 1975, Gottfried Koberle, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, foi convidado por Zeferino Vaz a assumir a chefia do Departamento. A partir de então foram introduzidas técnicas cirúrgicas modernas, entre as quais: abordagem da coluna vertebral por via anterior e microcirurgia de nervos periféricos. Nesse período, o Departamento realizou a primeira estimulação elétrica de pseudoartrose de tíbia congênita.

Em 1977, o setor adquiriu instrumental ortopédico próprio, até então emprestado do Hospital Irmãos Penteado. Os instrumentos ficavam armazenados na sala de número quatro e quando precisavam ser utilizados para os procedimentos cirúrgicos, eram transportados pelos residentes em carrinhos de feira para a esterilização. Após a cirurgia eram novamente esterilizados e trazidos de volta.

“Por incrível que pareça, nós fazíamos uma medicina de muitíssima qualidade”, lembrou na ocasião das comemorações, Willian Dias Belangero, professor titular do DOT, responsável pelo curso de graduação e preceptoria da residência médica na área de Ortopedia e Traumatologia da FCM.

O Departamento de Cirurgia transferiu-se para o Hospital de Clínicas em dezembro de 1985, sendo a ortopédica a segunda cirurgia realizada naquela unidade. Em 17 de setembro de 1992, 25 anos após ter sido criado, o Departamento inaugurou sua Oficina Ortopédica no HC. No mesmo ano, o curso de graduação foi ampliado aos estudantes do quarto ano da Medicina.

Ao longo de sua trajetória o Departamento de Ortopedia e Traumatologia contou com a colaboração de importantes nomes da área, dentre os quais, Belangero destacou João D. M. B. Alvarenga Rossi e Gottfried Koberle. “A eles, devemos alguns momentos de reflexão e uma salva de palmas, pois muito do que temos aqui hoje, é fruto do trabalho que eles realizaram”, disse.

As contribuições de inúmeros residentes e funcionários, que marcaram a trajetória de 50 anos do DOT, também foram lembradas pelo professor titular da FCM. “Zeferino Vaz costumava dizer que primeiro era preciso investir em pessoas, para depois levantar edifícios. Nosso departamento sempre acreditou nisso”, finalizou.

Texto
Edimilson Montalti
Camila Delmondes

Fotos
Marcelo Oliveira

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