Centro de Controle de Intoxicações
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO
DOS ATENDIMENTOS REALIZADOS NOS CENTROS DE TOXICOLOGIA DE SEIS HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS
DO BRASIL DE 1994 A 1996. |
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Flávio A. D. Zambrone1, Herling G. A. Alonzo1, Gil V. F. Ricardi2, Délio Campolina3, Ilton O. Willrich4, Conceição A. Turini5, Ana M. Itinose6, Magda L. F. Oliveira6, Sylvia Hering7 & Palmira Cupo7. 1. CCI-Unicamp, 2. Ministério do Trabalho, Piracicaba-SP, 3. STMG-B. Horizonte 4. CIT-Florianópolis, 5. CCI-Londrina, 6. CCI-Maringá, 7. CCI-Ribeirão Preto. |
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| No Brasil, são escassos os dados epidemiológicos disponíveis sobre intoxicações. Também existem dificuldades de extrapolação, para nosso meio, de dados de outros países. O Grupo de Estudos Epidemiológicos em Toxicologia, formado pelos centros de Belo Horizonte, Campinas, Florianópolis, Londrina, Maringá e Ribeirão Preto, desenvolveram um sistema de coleta de dados. É descrito o perfil epidemiológico das ocorrências registradas de 1994-96. Foi preparada uma ficha pré-codificada, um manual com instruções para o preenchimento, as definições e códigos das variáveis. As informações registradas são sempre revisadas, corrigidas, codificadas e digitadas em cada centro. Antes de criar a base de dados, se faz a análise de consistência e validação dos dados. Dos 53.921 atendimentos, ocorreram 38,1% em Belo Horizonte, 20,2% em Campinas; 15,2% em Florianópolis; 11,1% em Ribeirão Preto; 8,0% em Maringá e 7,4% em Londrina. Homens 50,4%. A faixa etária mais freqüente foi de um a cinco anos (17,9%). A principal ocorrência foi intoxicação (85,4%) a grande maioria aguda. Os acidentes apareceram com 53,5% seguidos pelas tentativas de suicídio (23,3%), ocupacional (11,2%). Os agentes em 30% eram toxinas animais (escorpiões, aranhas, himenópteros, cobras e outros), 29,3% medicamentos (benzodiazepinas, barbitúricos, antidepressivos tricíclicos, antibacterianos, haloperidol e outros), 13,9% praguicidas (organofosforados, raticidas, piretróides, carbamatos, herbicidas, organoclorados e outros), 8,9% produtos de uso doméstico (hipoclorito, soda caústica, amoníaco, ácidos, detergentes e outros). A via
principal de exposição em 55,2% foi a oral, em 27,6% mordida e/ou picada; 7,6% a via
respiratória e 6,6% a cutânea. Houve 15,7% de internações. A evolução em 83,3% foi
alta com cura e 0,5% de óbitos. As intoxicações são uma importante causa de morbidade
e bases de dados deste tipo permitem sua compreensão e estudo, além de orientar o
treinamento de pessoal, pesquisa e programas de toxicovigilância. |
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Introdução |
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| Métodos | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Foi elaborado um manual com instruções gerais para o preenchimento da ficha, as definições e códigos de cada uma das variáveis, e seus itens correspondentes. Também, uma listagem dos produtos, substâncias, espécies e variedades mais freqüentes, com seus códigos respectivos. Os grupos definidos foram os seguintes: medicamentos, praguicidas e rodenticidas, animais peçonhentos, produtos químicos de uso industrial, produtos de uso doméstico, metais, plantas e cogumelos, produtos veterinários, drogas de abuso, alimentos, desconhecido e não classificados. Antes da implementação definitiva em janeiro de 1994, houve um teste piloto de três meses. As informações registradas são revisadas, corrigidas, codificadas e digitadas em cada centro. Antes de criar a base de dados final, são novamente revisados e passados por um processo de análise de consistência e validação. Foi utilizado o Epi Info, por ser barato e de fácil utilização, além de permitir uma análise dinâmica das informações. |
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| Resultados | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Houve 53.926 atendimentos, destes, 38,1% eram de Belo Horizonte; 20,2% de Campinas; 15,2% de Florianópolis; 11,1% de Ribeirão Preto; 8,0% de Maringá e 7,4% de Londrina (fig. 1)
Em relação à ocupação o maior número se registrou na categoria outras que inclui estudantes de todos os níveis e donas de casa, com 37,9% seguida dos trabalhadores da indústria 9,1%, agropecuários 5,3%, serviços 4,1%, comerciantes 2,4%, técnicos e cientistas 2,2% e administrativos e serviço público 1,9%. Existe aumento do número de casos de um ano para outro possivelmente devido a restruturação do atendimento em Belo Horizonte e em Maringá que tem atividades voltadas para registrar intoxicações alcóolicas. A variabilidade anual é devida ao comportamento sazonal dos animais peçonhentos e ao uso de praguicidas que é determinando pelo ciclo agrícola (Figura 3).
A ocorrência em 85,4% dos atendimentos foi intoxicação e em 12,4% apenas exposição. A grande maioria 95,7% foi por exposição aguda que aconteceu principalmente na residência com 75% seguida do local de trabalho com 12%. O agente em 30% casos eram toxinas animais, 29,3% medicamentos, 13,9% praguicidas, 8,9% produtos de uso doméstico e 17,9 outros. Mais da metade dos casos foram acidentes por via oral ou mordidas e picadas, em seguida aparecem as tentativas de suicídio, quase 100% por via oral. Em terceiro lugar, os casos ocupacionais que foram por via respiratória ou cutânea (Tabela 2). Tabela 2. Total de atendimentos segundo agente tóxico nos Centros de Toxicologia de seis Hospitais Universitários do Brasil de 1994 a 1996.
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| Entre o casos, 88% apresentaram sinais e
sintomas, em 11% foram feitas análises de laboratório, 15,7% ficaram internados, sendo
que 47,3% ficaram um dia; 35,1% entre dois e cinco dias e 8,1% seis dias ou mais (figura
4). A evolução em 83,3% foi alta com cura; 4,6% retorno ao ambulatório; 0,5% óbito; 1,5% outra e 10,1% desconhecida (figura 5). Os tóxicos envolvidos nos casos de óbitos são descritos na tabela 4. |
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Tabela 3. Total de óbitos segundo agente tóxico nos Centros de Toxicologia de seis Hospitais Universitários do Brasil de 1994 a 1996. |
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Conclusão |
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As intoxicações são uma
importante causa de morbidade e bases de dados deste tipo permitem sua compreensão e
estudo, além disso orientar o treinamento de pessoal, pesquisa e programas de
toxicovigilância. |
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Referências bibliográficas |
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1. ALONZO, H.G.A. - Intoxicações agudas por praguicidas nos centros de toxicologia de seis hospitais universitários do Brasil em 1994. Campinas, 1995. [ Tese-Mestrado - Unicamp] 2. BORTOLETTO, M. E.; MARQUES, M. B.; BEZERRA, M. C. C. SANTANA, R. A. L. & BOCHER, R. - Análise epidemiológica dos casos registrados de intoxicação humana no Brasil no período de 1985-1993. Rev. Bras. Toxicol., 9:1-12, 1996. 3. CARVALHO, W.A.; RODRIGUES, D.S.; SANTOS, R.J.R.; RAMOS, A.A.; COSTA, F.M.F. - Incidência de intoxicações por praguicidas no Estado da Bahia, Brasil 1983-1987. Rev. Bras. Toxicol., 1:67-70, 1988. 4. CZERCZAK, S. & JARACZEWSKA, W. Acute poisonings in Poland. J. Toxicol. Clin. Toxicol. 33:669-75, 1995. 5. LEITE, E.M.A.; CAMPOLINA, D.; CAMPOS, J.A. - Acute intoxications: a study in Belo Horizonte, Brasil. Rev. Bras. Med., 48:45-6, 1991. 6. LITOVITZ, T.L.; HOLM, K.C.; BAILEY, K.M. & SCHMITZ, B.F. - 1,991 annual report of the american association of poison control centers national data collection system. Am. J. Emerg. Med., 10:452-502, 1992. 7. LIU, Y.; WOLF, L.R. & ZHU, W. - Epidemiology of adult poisoning at China Medical University. J. Toxicol. Clin. Toxicol. 35:175-80, 1997. 8. POSSAS, C.A.; BORTOLETTO, M.E.; ALBUQUERQUE, D.T.C.; MARQUES, M.B. - Intoxicações acidentais no Brasil: uma questão de saúde pública. Rev. Soc. Bras. Toxicol., 1:48-53, 1988. 9. UNIVERSIDADE DE LA REPÚBLICA. Facultad de Medicina. Departamento de toxicologia. - Estatística anual de intoxicações 1993. Montevideo, CIAT, 1994. 16p. 10. WORLD HEALTH ORGANIZATION - World health statistics annual. Geneve, WHO,1992. p. D31-D41. 11. ZAMBRONE, F.A.D. - Contribuição ao estudo das intoxicações na região de Campinas. Campinas, 1992. [Tese - Doutorado - Unicamp] |
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| Agradecimento: agradecemos a contribuição e dedicação de tempo dos coordenadores, médicos, enfermeiras, farmacêuticos, funcionários, estagiários e todas aquela pessoas que direta ou indiretamente contribuíram e contribuem na realização deste projetos | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||