Software
inédito da Unicamp é testado pelo MS
(20/07/2005)
- A Unicamp cedeu ao Ministério da Saúde
(MS) o direito de uso do Programa de Informações
sobre Atendimento a Pacientes com Infecção
por HIV (Piaph), um software que funcionará
como um prontuário eletrônico a soropositivos.
A concessão permitirá a utilização
da ferramenta em todos as unidades públicas
de tratamento de pessoas com Aids. De acordo com o
autor do software, o infectologista da Unicamp, William
Barros de Abreu, o MS demonstrou interesse em estender
o uso do software em outras unidades públicas
de tratamento, desde que decidiu financiar a instalação
das máquinas para desenvolvimento da pesquisa
na Unicamp. “Tivemos uma reunião em Brasília,
na qual eu realizei treinamento a médicos de
mais cinco centros de atendimento a pessoas com HIV.
Até então, o Ministério estava
interessado em analisar a possibilidade de utilizar
o software como ferramenta em outras unidades”,
diz.
O prontuário eletrônico
foi desenvolvido com respostas padronizadas, que podem
ser consultadas com apenas um toque do infectologista
no computador. Isso, segundo Abreu, permite melhorar
a qualidade no atendimento, substituindo o tempo gasto
com as inúmeras pastas do prontuário
pela qualidade da atenção ao paciente.
Além de qualificar o tempo, o novo programa
pode tornar mais eficientes as campanhas de prevenção
à doença, dada a capacidade de armazenar
dados sobre comportamento epidemiológico. “É
possível saber quais eram os hábitos
do paciente para saber como foi infectado”,
revela.
O programa pode ter impacto também
na redução de gastos com exames laboratoriais,
pois permite o registro de receituários e resultado
de exames. Ele acrescenta que o volume de papéis
acumulados no prontuário manual pode fazer
com que algum exame já realizado passe despercebido
pelo médico. “Com a avanço no
tratamento, a sobrevida é longa, e isso faz
com que o prontuário manual acumule várias
pastas e algumas informações passem
a ser vistas pelo infectologista”, constata.
Hoje, na Unicamp, numa manhã
ou tarde, cerca de 25 a 40 pacientes são atendidos
e, se aparece alguém que não esteja
passando bem, é atendido pelo mesmo número
de médicos. O atendimento acaba sendo mais
rápido, diante da demanda, e esta necessidade
de apressar o atendimento pode fazer com que o médico
deixe de fazer outros questionamentos e também
não tenha tempo de consultar adequadamente
o histórico para saber a evolução
do paciente. A nova ferramenta permite uma consulta
rápida a toda a evolução do paciente
e a impressão desses documentos, que eram manuscritos
Abreu enfatiza que o Brasil gasta
em média 600 milhões por ano na aquisição
de medicações antirretrovirais. “Quanto
mais dados fidedignos o governo tiver para se embasar,
melhor a utilização de recursos. O software
pode contribuir bastante neste sentido”, afirma.
Entre as principais aplicações
do prontuário eletrônico, o infctologista
cita que o software permite aos especialistas o preenchimento
de todos os documentos exigidos a cada consulta, entre
eles relatório de consultas, pedidos de exames,
receitas, formulários de solicitações
de remédios que devem ser enviados para controle
do MS. Enquanto utiliza o software para atendimento,
o infectologista pode alimentar a base de dados. O
número de dados a serem armazenados em um prontuário
é muito grande porque pacientes com HIV têm
sobrevida longa. “Existem pacientes com quinze
anos de atendimento e cada consulta obriga o preenchimento
de muito papel. Isso gera a primeira dificuldade,
pois um prontuário chega a somar quatro pastas
diferentes”, ressalta William Barros de Abreu.
(Maria Alice da Cruz)