Odontologia
do HC aprimora prótese bucomaxilofacial
(11/08/2005)
- Uma equipe liderada pelo dentista Marcelo Pizzolato
de Abreu Sampaio vem se aprimorando no serviço
de prótese bucomaxilofacial oferecido pelo
Serviço de Odontologia do Hospital das Clínicas
(HC). O trabalho visa restaurar o paciente que sofreu
deformidade facial por cirurgia oncológica
ou por trauma. Para aprimorar o trabalho, a equipe
chegou a contar com orientações do Instituto
de Artes (IA).
Proceder à recomposição
de até um terço da face dos pacientes
tornou-se uma rotina para o grupo. Para isso, a equipe,
além de desenvolver as próteses, participa
diretamente de cirurgias oncológicas. O resultado,
segundo Marcelo, tem sido altamente satisfatório.
"Isso resgata a auto-estima do paciente, já
que antes da cirurgia as lesões impõem
constrangimentos de todo tipo", revela. No momento,
são oferecidos cerca de 200 atendimentos mensalmente,
com a implantação de quatro próteses
faciais. "Temos uma experiência de mais
de 800 casos", diz Marcelo.
Marcelo explica que as próteses
podem ser óculo-palpebrais, nasais, auriculares,
faciais extensas e intra-orais, estas últimas
em maior número. As próteses mais complexas
demoram até dois meses para ficarem prontas
e, as mais simples, um mês. Segundo ele, a maior
parte dos pacientes se adapta perfeitamente, o que
não exclui casos de rejeição
psicológica. Nos casos de câncer, a lesão
pré-maligna em geral apresenta-se com coloração
escura, esbranquiçada ou vermelha. "É
um indício. E se persistirem por mais de 15
dias, a conduta é a biópsia."
Cuidados - As próteses são
presas em geral por óculos, cola ou implantes
extra-orais, através de ímãs,
colchetes ou encaixes do tipo macho-fêmea. Duram
de dois a quatro anos, dependendo da higienização
do paciente. Para compor uma prótese dos olhos,
a equipe chega a confeccionar até as sobrancelhas,
com pêlos do próprio paciente. "Nós
conseguimos olhar para o paciente e não para
o seu problema". Enquanto trabalha, dividindo
seu tempo entre o HC e a clínica privada, Marcelo
também desenvolve pesquisas.
Atualmente, realiza um trabalho que deve atender
as manifestações da quimio e da radioterapia
na boca. Em sua dissertação de mestrado,
em andamento, o especialista avalia a criação
de uma escala de tons de cores de pele em silicone,
para facilitar o trabalho dos alunos. E com a pesquisa
"Avaliação funcional da oclusão
velofaríngea com uso de obturadores sintéticos",
Marcelo, o otorrinolaringologista Agrício Crespo
e o protético Paulo Santis foram contemplados,
recentemente, com um prêmio da Sociedade Latino-Americana
de Prótese Bucomaxilofacial, conferido pela
Escola Americana de Prótese. A investigação
foi destaque numa seleção da qual participaram
mais 200 trabalhos.
(Isabel Gardenal)