HC
inaugura ambulatório de obesidade infantil
(12/04/2005)
- Fast-food, sofá, televisão e videogame
substituem exercícios físicos, frutas
e verduras no mundo moderno. Com tantos atrativos,
o índice de obesidade infantil só tende
a crescer. O novo modelo de vida oferecido a crianças
e adolescentes preocupa pediatras, endocrinologistas
e outros profissionais da área médica.
Diante dessa nova realidade, o HC da Unicamp iniciou
no último dia 12/04, o atendimento em ambulatório
de obesidade infantil. Uma equipe formada por pediatras,
nutrólogo, nutricionista, educador físico
e psicólogo oferecerá atendimento às
quartas-feiras, a partir das 13 horas. O ambulatório
será coordenado pelos professores do Departamento
de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas
(FCM) Roberto Teixeira Mendes e Antonio Azevedo Barros
Filho.
“O que importa para nós não é
a avaliação estética, mas, primeiramente,
saber se a pessoa é saudável ou não”,
diz Mendes. Mas o especialista reconhece que, inegavelmente,
na infância e na adolescência, os pacientes
podem sofrer discriminação e receber
apelidos dos colegas, daí a importância
de o ambulatório funcionar com uma equipe multidisciplinar,
na qual não pode faltar a presença do
psicólogo.
Gordinho, fofinho, roliço... Alguns adjetivos
carinhosos aplicados na infância, se não-vigiados,
podem fazer de uma criança uma séria
candidata à obesidade. Apesar da ditadura da
beleza, não é só a questão
estética que preocupa os especialistas. A explosão
de casos nos últimos dez anos é responsável
pelo aumento de algumas doenças que, no século
passado, acometiam mais a população
adulta, segundo Barros. Uma delas é a diabete
2. Há alguns anos, praticamente não
existiam casos de crianças com esse tipo de
diabete. As causas são dieta inadequada, rica
em alimentos calóricos, a falta de exercícios
e, conseqüentemente, a obesidade. Nesse tipo
de diabete, o organismo produz insulina, mas as células
se tornam resistentes à sua ação.
A discriminação, segundo Barros, pode
ocorrer também no núcleo familiar. Na
observação dos pediatras, os hábitos
devem ser reavaliados por toda a família, primeiramente
pelo fator genético e depois para não
haver risco de diferença no próprio
lar. “A rotina deve ser reavaliada por todos
para que a criança não receba uma alimentação
diferente e não tenha de praticar exercícios
sozinha”, advertem. Mendes enfatizou que, se
um dos pais for obeso, a probabilidade de a criança
desenvolver o problema é de 50%. Mas se o pai
e a mãe estiverem dentro desse quadro, há
75% de chance de a criança ser obesa.
Muitos outros sintomas e doenças probabilísticas
que antigamente não eram problemas de criança
hoje levam os pais ao consultório, entre eles
enxaqueca, depressão e colesterol alto. Segundo
Mendes, na maioria dos casos, os pais buscam atendimento
por outras manifestações que não
sejam obesidade. Neste caso, os responsáveis
são alertados pelo pediatra que encaminham
a criança para tratamento.
Além da predisposição genética
e da alimentação inadequada, Barros
atribui a explosão de obesidade e doenças
decorrentes dela ao sedentarismo. “Hoje, os
pais levam as crianças para a escola de carro
e param na frente do colégio. O ideal é
parar um pouco mais longe ou ir a pé, se a
distância não for muito grande”,
adverte. Pediatra lembra a frase de um amigo: “A
obesidade é um preço que o homem paga
por não ter que correr mais atrás da
comida. Hoje, a comida chega até o homem.”
Comer sem fome – O pediatra
Roberto Teixeira Mendes chama atenção
para um comportamento quase não questionado.
Já na primeira infância, a mãe
insiste para que a criança se alimente na hora
certa, independentemente de ela ter ou não
fome. “Muitas vezes, na preocupação
em estabelecer horários para a refeição,
a mãe acaba insistindo para que a criança
mame. Neste momento, ela estimula a criança
a comer sem fome”, analisa.
(Maria Alice da Cruz)