HC
da Unicamp comemora 100º Implante Coclear
(16/08/2005)
- A equipe médica da Otorrinolaringologia do
Hospital de Clínicas da Unicamp, comemora nesta
quarta-feira (17/08), às 17 horas, no ambulatório
de otorrino do hospital, a centésima cirurgia
de implante coclear, que é destinado a pacientes
com deficiência auditiva de origem neurosensorial
profunda. Com parte da comemoração,
será ativado o aparelho de uma das últimas
pacientes, que há vários anos vinha
apresentando surdez progressiva. Hoje, a Unicamp é
um dos cinco centros de referência de implante
coclear no Brasil e desde o início das atividades,
em 2001, já recebeu pacientes quase todos os
estados.
O coordenador do programa na Unicamp,
prof. Paulo Porto, explica que o implante coclear
é um aparelho que fornece a possibilidade de
reabilitar pacientes com deficiência auditiva,
que não conseguem benefícios dos aparelhos
auditivos disponíveis. Pode ser implantado
em crianças que nasceram com o problema de
audição ou em adultos que sofreram algum
tipo de acidente (alguma infecção ou
ainda com alguma patologia grave), que ocasionou a
perda da audição. Na Unicamp, 49 % dos
pacientes implantados são adultos e 51% crianças.
A partir de 2003, começaram
os procedimentos em crianças com até
cinco anos de idade. O primeiro foi M.P.K, 4 anos,
que veio de Curitiba, onde recebeu os primeiros cuidados
desde o seu nascimento por surdez idiopática
(sem causa aparente). A cirurgia foi muito bem-sucedida.
“ A escolha do paciente infantil é mais
difícil e é importante dizer que nem
todas as crianças são candidatas a essa
forma de reabilitação”, diz Porto.
Segundo o coordenador do Serviço,
os resultados têm sido surpreendentes. Todos
as pacientes ativados melhoraram sua capacidade de
comunicação. Dos pacientes que já
ouviram antes e perderam a audição (chamados
pós-linguais) cerca de 65 % tem utilizado o
telefone, alguns com desenvoltura impressionante,
diz Porto. A equipe tem recebido relatos emocionantes
dos pacientes: ouvindo a voz da filha pela primeira
vez, ouvindo o som de passarinhos, ouvindo o som da
chuva pela primeira vez; falando em ambientes diversos,
entre outros
A deficiência auditiva afeta
cerca de 10% da população mundial, segundo
a Organização Mundial de Saúde
(OMS). Só no Brasil, 350.000 pessoas têm
perdas severas ou profundas de audição,
a maioria necessitando de implante coclear. A cirurgia
consiste em implantar um grupo de eletrodos na cóclea
(parte interna do ouvido), para realizar as funções
das células auditivas danificadas ou ausentes,
através do estímulo elétrico
das terminações remanescentes do nervo
auditivo. O aparelho só é ligado 40
dias após a cirurgia.
A cirurgia é 100 por cento
financiada pelo SUS e leva em média três
horas. No ambulatório de implante coclear da
Unicamp, todos os candidatos ao implante coclear passam
por avaliações rigorosas realizadas
por uma equipe multidisciplinar do HC. O objetivo
é determinar se os pacientes se encaixam nos
critérios para realização desse
tipo de cirurgia. O implante coclear foi desenvolvido
em 1977 nos Estados Unidos e no Brasil, a Unicamp
foi uma das primeiras a disponibilizar o serviço
em 2001. (CL)