Laboratório
de Cateterismo Cardíaco do HC
atinge a marca de 10 mil procedimentos
(1º/02/2005)
- O Laboratório de Cateterismo Cardíaco
do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp chegou
a 10 mil procedimentos de cateterismo cardíaco
no mês de dezembro. O "paciente número
10 mil" foi um homem de 58 anos, que passou pelo
procedimento no último dia 1 de dezembro, com
o diagnóstico de doença coronária
aterosclerótica. A marca vem sendo computada
desde 1987. O Cateterismo Cardíaco do HC é
o único serviço credenciado pelo SUS
de Campinas.
A próxima meta, segundo seu responsável,
o cardiologista Eduardo Arantes Nogueira, é
aumentar em 40% o teto de atendimento estipulado pelo
Ministério da Saúde para o hospital.
“Passaríamos a atender 140 pacientes
por mês. Seria um ganho para nós, pois
o trabalho da cardiologia e da cirurgia cardíaca
do HC não deixa a dever para outros hospitais
'de ponta' brasileiros”, afirma.
Hoje, o Laboratório de Cateterismo do HC atende
cerca de 100 pacientes/mês, e deste total, cerca
de 20 % são procedimentos terapêuticos.
O maior número de usuários é
constituído por pacientes acima do 50 anos
de idade, principalmente homens com fatores de risco
para o desenvolvimento de placas ateromatosas.
O cateterismo cardíaco, ressalta Nogueira,
tem-se desenvolvido muito, sendo o exame mais preciso
que se tem conhecimento para o diagnóstico
de problemas cardíacos, como o entupimento
(obstrução) de uma artéria do
coração. Na maioria das vezes, é
um exame essencial para que se possa fazer cirurgia
cardíaca.
A partir de 2002, segundo Eduardo Arantes, parte
dos 10 mil procedimentos já está registrada
devidamente em CD-ROM. Cada exame gera este produto,
diz, que fica disponibilizado tanto para o serviço
quanto para o paciente, além do laudo médico.
O registro é feito mediante um programa que
acompanha a aparelhagem de cateter cardíaco
digital, um dos aliados da boa saúde do coração
no serviço público. “Como o cateterismo
envolve um certo risco, o documento certifica o paciente
do seu diagnóstico, que pode ser levado também
a outros hospitais, na impossibilidade de continuar
o atendimento no HC”, diz Eduardo.
O cardiologista, que está na Unicamp desde
1975, descreve que 90% do trabalho do seu Laboratório
é dedicado ao diagnóstico cardíaco
e 10% ao tratamento, sendo a angioplastia o exame
mais solicitado. O cateterismo cardíaco é
um exame em que é colocado um cateter na veia
até chegar ao coração, para mostrar
exatamente onde existe algum problema. Já a
angioplastia coronária envolve um procedimento
de abertura do entupimento de uma artéria do
coração usando-se também um cateter.
De acordo com a enfermeira Solange Martins Viana,
estes procedimentos exigem um preparo especial, que
é recomendado sob forma de um protocolo, criado
pelo Serviço. "Em geral, o paciente que
passa pelo cateterismo fica muito ansioso, com medo
e despreparado. O protocolo é um avanço
para aliviar este estado", relata.
Ela explica que a Angioplastia Coronária para
a colocação de Stent é o procedimento
terapêutico mais freqüente no laboratório.
O Stent é uma prótese semelhante a um
pequeno tubo perfurado que envolve um pequeno balão
localizado na ponta de um catéter, que é
introduzido até o local da obstrução
da artéria coronária. Quando o balão
(com o stent) atinge a obstrução ele
está vazio e tem o diâmetro bem fino;
ao ser insuflado, o pequeno balão dilata a
lesão e implanta o pequeno tubo perfurado na
parede da artéria. Em seguida, o balão
é esvaziado e retirado, mas o Stent fica no
local fazendo com que a região do entupimento
permaneça aberta.
Trata-se de um procedimento invasivo onde um catéter,
que é um tubo fino e Flexível, é
introduzido na circulação através
de um vaso sangüíneo periférico,
para chegar até o coração. Com
ele, é possível fazer o diagnóstico
e a terapêutica através da avaliação
da função do coração como
um todo e também das artérias coronárias.
A aparelhagem fornece imagens digitais e sinais vitais
tanto de adultos como de crianças, em tempo
real e com grande riqueza de detalhes.
Segundo o Prof. Nogueira, o avanço tecnológico
nesta área permite medidas detalhadas do coração
e vasos durante o procedimento, e isto permite que
a angioplastia seja realizada com maior precisão,
levando a melhores resultados a médio e longo
prazo. Ele explica que o procedimento é realizado
através da artéria femoral (virilha)
ou do braço direito, com anestesia local para
adultos e geral para crianças.
Eduardo realizou treinamentos na Philadelphia - EUA,
pelo período de quatro anos, nas áreas
de cardiologia geral e intervencionista. Com esta
experiência, além dos anos que atua na
Unicamp (desde 1975), o médico garante que
a cardiologia de modo geral evoluiu muito, assim como
a qualidade dos serviços médicos no
Brasil, como a Unicamp.
Além do atendimento aos pacientes, o laboratório
possibilitou o desenvolvimento de diversas pesquisas
publicadas em revistas científicas nacionais
e internacionais, além de seis teses de mestrado
e quatro de doutorado, bem como a formação
de 5 especialistas em cateterismo cardíaco
e hemodinâmica. O laboratório é
ainda ambiente de ensino de residentes, alunos de
medicina, enfermagem e fisioterapia.